Quanto Ganha um Político Desonesto e Corrupto

Tudo depende das negociatas intermediadas. Veja quanto ganha um político desonesto e corrupto.



No Brasil, “político desonesto” é quase uma redundância. São raros os exemplos de pessoas que desenvolveram uma carreira pública sem lançar mão das propinas e “comissões” sobre licitações. Os salários e privilégios de vereadores, deputados e senadores já seriam suficientes para manter um excelente padrão de vida, mas a ambição parece ser a tônica.

Um político não precisa ser ativamente desonesto para prejudicar o país e as relações institucionais. Em muitos casos, a simples omissão já é suficiente para provocar sérios prejuízos. O Brasil requer algumas reformas com urgência: tributária, trabalhista, política, eleitoral. No entanto, elas nunca entram na pauta do Congresso Nacional, cujos membros seguem cuidando de seus próprios interesses.

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Propinas, Desvios e Superfaturamento

Este é um exemplo recente de quanto ganha um político desonesto. As propinas pagas pelas grandes construtoras brasileiras para conquistar e manter obras na Petrobras, a maior estatal do país, ocupam as manchetes do noticiário há alguns meses.

Depoimentos indicam que o PT recebeu entre R$ 150 milhões e R$ 200 milhões, entre 2003 e 2013. As propinas teriam sido pagas em função de 90 contratos celebrados pela Petrobras, como o da refinaria Abreu e Lima, em construção no Estado de Pernambuco.

Outros partidos políticos, como o PMDB e o PT, também receberam “comissões” pela intermediação dos negócios. A prática se tornou tão comum que as propinas já eram calculadas em percentagens sobre o valor total dos contratos.

Os valores recebidos pelos políticos desonestos e corruptos ainda estão no campo das conjeturas, já que são indicados por delações premiadas e alguns casos pontuais de devolução de dinheiro em troca de redução de penas (a operação Lava Jato, que investiga o envolvimento de empresários e políticos nas negociações ilícitas da Petrobras, já conseguiu recuperar R$ 2,4 bilhões para a União).

Os delatores do esquema afirmam que a operação da Polícia Federal e a rápida atuação do Poder Judiciário conseguiram reaver um terço do dinheiro desviado. O principal problema, neste caso, é que, depois das delações premiadas, chega a fase de produção de provas – e estas são raras, já que “ouvi dizer”, “participei de uma reunião com” e “vi uma pasta que, na saída, havia desaparecido” não se constituem em peças que sustentem uma condenação.

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, mantém contas confirmadas na Suíça, com um saldo total de US$ 2,4 milhões. A justiça do país europeu já confirmou os valores, o que se configura como quebra do decoro parlamentar.

Um pedido de cassação já foi encaminhado à mesa diretora da Câmara pelo PSOL, mas o caso deve ser avaliado apenas em 2016. Ou nunca, em função da troca de “afagos” que vigora em Brasília.

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Rede de desvios de dinheiro público

O que mais preocupa é que as construtoras envolvidas no escândalo da Petrobras estão entre as maiores do país, operando em obras realizadas em todo o território nacional. Diversos empresários e executivos respondem a processos ou já foram condenados no “Petrolão”.

Ao todo, 18 empresas estão envolvidas, inclusive as gigantes Odebrecht, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez. No caso de condenação em última instância, estas construtoras ficarão proibidas de concorrer para a construção de obras públicas.

A pergunta principal é: estas empresas operavam fraudulentamente apenas na Petrobras? Em que outras concorrências públicas está ocorrendo, neste momento, o pagamento de propinas?

Aparentemente, em função da falta de interesse em aprofundar as investigações – que poderiam atingir alguns governadores e prefeitos –, os políticos desonestos vão continuar ganhando muito bem e, na maioria dos casos, permanecerão longe da polícia e da justiça.

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